Silêncios valem mais que mil palavras

– Apenas não me deixe – eu disse – não para sempre pois sei que seus planos futuros não me incluem, mas apenas por hoje, por enquanto, fique aqui comigo. Tive pesadelos essa noite, pesadelos que me atordoaram muito, sonhei que acabava sozinha, sem amparo, sem você. Isso é duro de ver, de ouvir. A realidade é dura… E não precisa me dizer o quão suicida é essa idéia pois estou ciente que ela ira me matar por dentro, sei que cada vez que eu me permito a pensar que algum dia você irá largar tudo para ficar comigo é mais um pedaço do meu coração que se despedaça-rá no dia em que você efetivamente partir.

– Eu acho… – ele começou.

– Não, espere, me deixe terminar primeiro, depois você fala. Eu simplesmente tenho que botar para fora tudo isso. – eu recomecei a falar e senti meus olhos encherem de lágrimas enquanto todo o meu corpo dava reviravoltas dentro dele mesmo. Resgatei o resto de coragem que eu tinha e comecei a formular e reformular dezenas de vezes a frase que falaria em seguida. – Todos os dias eu vou dormir sem ter a certeza de que acordarei com você do outro lado da cama, e todos os dias eu acordo com apenas um pensamento em mente: se você ainda não me deixou. – fiquei quieta por alguns segundos para ver se alguma coisa que eu disse tinha o assustado. Voltei a pesar minhas palavras. – A cada manhã tenho receio de olhar para o lado, de te ligar, porque se os meus medos se confirmassem eu não sei o que sou capaz. Sei que isso tudo é muito para você e sei que a sua reação não vai ser como eu gostaria, mas eu precisava te falar isso.

– Você diz que me conhece e sabe dos meus atos – ele começou – mas tudo o que você falou até agora só prova ao contrário…

– Mas eu… – tentei argumentar.

– Calma, agora é a minha vez de falar – ele retrucou – Saiba que nenhuma noite passou pela minha cabeça deixar você, todas as manhãs eu espero ansioso pelas suas ligações e todas as noites eu agradeço a Deus por você ainda não ter me deixado. Me desculpe se eu fiz alguma coisa para você achar ao contrário, essa realmente não era a minha intenção.

Nessa hora um silencio constrangedor tomou conta do quarto, mas no segundo seguinte o mesmo se tornou reconfortante, pois nós éramos apenas dois idiotas apaixonados que não precisavam mais das palavras, mas sim dos olhares que, ao contrário das mesmas, estavam presentes na cena, e muito. Olhares calorosos de sua parte e tímidos, muito tímidos, de minha parte. Muitas vezes tinham sido precavidos, refreados, mas agora estavam sendo soltos aos poucos, liberados e espalhados pelo quarto. Comecei a relembrar de todas as vezes que o medo tinha tomado conta de mim, tinha me feito prender aqueles tais olhares. Minha expressão deve ter mudado, pois a dele também mudou, agora ele estava preocupado.

– Ei, eu sei que isso pode ser muito para você, mas eu não posso evitar. Eu te amo, de verdade. – ele gaguejou.

As palavras dele me abraçaram como veludo e bagunçaram positivamente minha cabeça. Eu tentei, toda minha vida, deixar os pés no chão e ser o mais realista possível, manter distância dos “sonhos irreais”, mas esse tempo todo eu estava distante mesmo era da realidade. Isso é real, esse sentimento é real. Pela terceira vez naquela manhã pensei no que falar, nas exatas palavras que tornariam aquele momento mais especial, foi quando eu percebi que o que o tornava maravilhoso era o próprio silêncio.

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