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   A gente diz cada coisa sem querer dizer, exatamente, aquilo. Vivemos medindo palavras, nos moderando sempre quando mais deveríamos deixar os sentimentos falarem por si só. Talvez seja medo, insegurança. Ou apenas um comedimento maior do que o preciso. O fato é que as palavras estão na ponta da língua mas nossas cordas vocais simplesmente as prendem, como um pássaro impossibilitado de voar.   Já perdi a conta de quantas vezes moldei frases e argumentos sem utilizá-los, justamente quando a cena era prevista e cada palavra tinha sido ensaiada. Esqueço que a vida não é como uma peça de teatro. Os sentimentos nos traem justamente quando o sensato já foi decidido. Ou, quem sabe, só queiram nos mostrar que eles é que estão certos e nós só estamos tentando negar a verdade. Nos esconder feito tolos do que seria consciente. Renegando o próprio instinto.

Cansei de me segurar, ter que me esconder por moderação. Tá certo que é necessário, mas existe um momento que fica pesado demais pra carregar toda a carga sozinha. E aí você ama. O amor que seria supostamente o ajudante mais bem disposto, que acabaria com as angústias. O amor vem e te mata. Te domina em poucas frações de segundo sem que você saiba o por quê, como. As emoções decidem a hora que você tem que perder o medo e se entregar. Não há nada a perder. A certeza te encobre a cada passo evolutivo desse sentimento, te encobre pra uma verdade completa. Não há questões, não há dúvidas. São só você e ele, formando a perfeita simbiose.

Acontece que tudo que é bom, um dia, se torna insuportável. É algo que escorre pelos seus dedos. É demasiado e impensável.

Talvez toda essa loucura de ser tão impensável tenha me deixado pequena demais. Algo que eu, certamente, guardo medo e angústia. A verdade é que você sempre acha que aprendeu mas acaba errando em todas as outras vezes que tenta. Se aperfeiçoa, mas continua sendo o mesmo erro.

   Não há culpa, culpados, inocentes. Um dia faremos um certo papel, nos seguintes, outro. É um ciclo que não se pode fugir, nem se deve. Apesar da música ser melancolicamente contagiante, o dançarino deve continuar a traçar seus passos graciosos, fazer da composição algo consubstancial ao todo. Com a mesma coreografia intensa nos detalhes, entregue ao seu interior externado.

 

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