2 de novembro

Foi naquele dia obscuro, que teimava a latejar por todo meu corpo, com a tristeza que sempre seria presente. Foi assim, despedaçada e moída, que reverti os passos da mesma tarde chuvosa da partida. Com as mesmas lágrimas que te enterraram, revoltadas, escorrendo por minhas bochechas e se perdendo em algum lugar do meu rosto. Quis ir até lá pra me sentir mais perto de você. Porém, tudo que vi foi uma lápide reta e fria, nada que trouxesse sua presença alegre, destemida e cheia de inocência. Era como se eu revivesse o fim de tudo após cada parte de mim já ter morrido.

Nunca gostei daquele lugar e, agora, esse sentimento era extremamente pior. Retirei de meu bolso um pequeno pedaço de papel. Rabisquei entre traços desesperados uma única mensagem: “eu te amo”. Mas eram apenas papel, palavras e cimento. Nem sabia dizer se você receberia minha mensagem, mas era tudo que minha mente atordoada me permitia fazer naquele instante. Inútil, como eu sem saber o que pensar, confesso. A única certeza que me envolvia era de que nossas metades pulsavam num único coração.

A chuva caía misturando minhas lágrimas ao seu gotejar, os trovões silenciavam – aos ouvidos alheios – meus soluços do choro doentio. As pétalas brancas estavam secas e sem vida, exatamente como eu no dia em que perdi você.

Era apenas o primeiro 2 de novembro.

 

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