Recomeço

  Se desvendar despreocupada os arbustos verdes que me cercavam era antes uma obrigação, hoje meu instinto foi segurado e incapaz de seguir o curso natural. É como se você fosse um besouro na mão de uma criança curiosa que não sabe lidar com o que carrega. Você fica preso com medo de fugir pra, no fim, virem outras mãos e te roubarem mais uma vez. Certas vezes é melhor se aquecer no que tem do que se aventurar pelos fortes ventos do mundo lá fora.

  Pena é que essas “certas vezes” sejam inúteis quando os sentimentos que costumavam habitar meu peito cansaram a mente de tal forma que já se tornaram fracos, pra não dizer quase inexistentes. Luto pra manter essas certas vezes, antes que elas se tornem nunca, não deixando você virar um verbo do pretérito. Acho que minhas saudades do passado andam se transformando em relutância para que não se apaguem ou me fujam da memória. Mas, hei de convir que o ditado está certo, “quem vive de passado é museu” e eu talvez tenha que só voltar em época de manutenção. É pra frente que se anda, mesmo que os passos estejam tortos, tímidos ou sem controle.

  A mata lá fora é tudo o que temos pra desvendar e eu já estou me sentindo esmagada entre os dedos desajeitados que me carregam. Perder o auto-controle não é benéfico quando a duração se torna demasiada. E, sem controle, minhas convicções se perderam e estou sendo obrigada a moldar novas a todo instante. Umas não tão novas, outras completamente inéditas. Renovação está sendo a palavra de encaixe dessa nova era. Retornar à alguns antigos conceitos e jeitos. Tirar, por, mudar. Verbos, verbos, verbos. E todos no infinitivo, por favor! Já não quero ser aquela palavra fora de contexto que serve apenas de apoio, uma introdução. Nem servir de conclusão improvisada adotada pelas pessoas que me tomam sem licença. O texto vai ser meu, uma auto-biografia amadora escrita aos poucos e sem pressa. Vou me atirar na vida sem pára-quedas, botes salva-vidas ou coletes. Vou me libertar e, quem sabe, alguém me encontre e me convide para planar consigo sem amarras presas ao chão. Uma brisa, calma e envolvente. Um calmante medicado na medida certa pra não se tornar veneno.

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