Skin and Bones

  Eu daria um tempo de toda essa loucura, se pudesse. O problema está em ela ser tudo o que tenho agora. Acabei me perdendo de mim sem saber por quê, como e quando. A pergunta que me faço é: onde? Onde estariam aquelas velhas lembranças guardadas com tanto carinho, mas atravessadas pelos traumas resistentes à formatação da mente? Onde estariam aquelas velhas peculiaridades antes tão fiéis a mim? Onde exatamente eu conseguiria recuperar tudo que me foi roubado, inclusive eu mesma?

  Não sei como farei pra me encontrar de novo, uma vez que fui quebrada em mil pedaços que estão espalhados pelo mesmo chão que apalpo sem resultados. Já passei pela fase da crise de existência humana, agora me encontro numa particular. Sozinha, pra ser mais exata, é como me sinto. Sim, so-zi-nha. Não por falta de gente perto de mim, mas com a falta de verdadeiras companhias que queiram realmente desvendar meus mistérios aos poucos, se infiltrando em meu interior sem que eu perceba e que descubram a realidade atrás do que deixo se externar. Estou rastejando pelo chão implorando por uma mão que segure a minha. Esta é a imagem que guardo de mim agora, internamente. Uma fotografia particular que arde minhas piores cicatrizes. Marcas que o tempo é incapaz de curar, que doem de tempo em tempo num desejo masoquista. A dor se esquece de mim, não tem dó e nem sequer pergunta antes de saltar por todo meu miocárdio.

  Queria ter sido feita de pele e osso apenas. Meus músculos estão carregados de estrias, resultado de um crescimento fora do normal ao qual fui obrigada a encarar. E – o principal deles – me deixa um ofegante aperto no peito ao qual não consigo me desvencilhar. Estou incompleta. Os restos que me sobram são saudades de um passado que não volta e de coisas que ainda nem vivi. Tenho saudades de sonhos, planos e de sorrisos planejados que me foram roubados sem respostas. Crueldade gratuita e sem intenções. Incompleta por não sentir sequer um coração próximo que me ofereça aconchego.

  Patética é como me denomino sem saber como reencaixar as peças caídas, não foi culpa minha por elas terem se perdido ou modificado. Às vezes você relaxa e vai deixando de ser quem era, e quando vê já se tornou passado. Outras vezes são as desilusões que nos servem de aprendizado misturado com dor. Cresci muito nos últimos 12 meses. Assim como havia crescido no ano anterior. Constantemente mudando. Acho que foi nesse mar de mudanças que me dividi em duas e perdi a outra metade naufragada em algum canto. Se alguém aí tiver notícias, me avise.

  Lembro-me como se fosse ontem da segurança que tinha. Da firmeza que colocava em cada passo dado. Nada disso me pertence mais. Me tornei mais fria e calculista. Observo a todo instante todos os pequenos gestos que as pessoas demonstram até sem querer. Vejo olhares, escuto comentários. O mundo já não é mais o mesmo ou sou eu que já não sou mais a mesma neste mundo. O que me falta é achar alguém que saiba engatar as pontas de laços que foram cortados sem permissão.

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