Anos atrás

Antes de efetivamente postar esse texto quero deixar claro algumas coisas… Eu fiz esse texto a alguns anos atrás e ele estava guardado no meu pc, então como faz tempo que eu não escrevo nada resolvi postá-lo. Não mudei quase nada para não perder a graça, então qualquer coisa você já sabe né, eu era menorzinha!! Espero que gostem e aproveitem…

Triiiiiim! Acabou, enfim. Dois meses de manhãs sonolentas e noites longas se foram e aqui estou eu 06h30min da manhã tentando achar um bom motivo para acordar. Provas, não. Matemática, definitivamente não. Amigos, sim. Aquele tal aluno de intercâmbio que veio da Hungria, definitivamente sim. Em toda a minha vida a curiosidade superou a preguiça ou qualquer outra coisa, então sair de baixo do cobertor e me vestir não foi tão difícil assim. Difícil foi me controlar enquanto garoto não chegava. Primeira aula, nada. Segunda aula, nada. Chegou o recreio e todos já tinham se conformado que o menino não viria mais, exceto por mim. Por causa disso a cara de espanto foi geral no segundo em que o menino entrou na sala. O segundo seguinte foi caracterizado por uma mudança perceptível entre as caras dos meninos e das meninas: eles fecharam a cara e elas não conseguiam tirar os olhos do rosto angelical do garoto. A situação se acentuou quando ele falou o nome dele: Santino. Aquele timbre doce e perfeito foi como um choque paralisante para a parte feminina da turma. Sua inteligência também ajudou na paixão das meninas, principalmente da Alessandra (a menina que eu mais odeio). Parecia que só eu achava que tinha alguma coisa de estranho com esse menino. No final da aula eu fui pra casa a pé, como sempre ouvindo musica. Quase derrubei todas as minhas coisas quando a mão enluvada de Santino tocou meu ombro, olhei para trás e seus olhos de um verde estranho penetraram nos meus, foi quando eu tive certeza que ele não era normal. Sua voz me espantou de tanta perfeição. “Olá, não sei se você me conhece mas a gente estuda na mesma sala, eu sou Santino, prazer!”. Um grunhido foi tudo o que eu consegui falar. Ele continuou “Você mora para lá?”, “Sim” eu respondi, “Que bom, nós podemos ir juntos então!” Eu continuei parada enquanto ele caminhava. “Alguém já te disse que você é muito bonita?” Como assim! De todas as meninas da sala, incluindo a Alessandra que, infelizmente eu tenho que afirmar, é linda, ele foi falar isso para mim, uma garota mediana em todos os sentidos. “É, obrigada, mas eu tenho certeza de que há pessoas mais bonitas do que eu na nossa sala… Aliás eu soube que a Alessandra está afim de você” ele retrucou “Eu não acho a Alessandra bonita, aliás para minha visão ela é até feia.” Daí em diante eu não entendi mais nada, como assim a Alessandra é feia, e para a ‘visão’ dele? Muito estranho. Foi então que me ocorreu, porque aquelas luvas de couro se estava calor? Minha curiosidade foi tamanha que eu tive que perguntar. “Porque você está usando essas luvas nesse calor?” ele respondeu “A, é que, sabe, é, eu tenho uma cicatriz que eu não gosto de mostrar, daí eu uso essas luvas”, mas eu não acreditei. Eu não consegui me controlar e tentei tirar a luva dele. “Deixa eu ver a cicatriz então”, “Não é muito feia, eu não gosto”. A curiosidade foi tomando conta de mim e com um movimento repentino eu arranquei as luvas dele, confirmando minha teoria, não tinha cicatriz nenhuma. Então eu toquei na mão dele e minha visão escureceu por um segundo. Quando eu voltei ao normal tudo estava dferente, as pessoas não eram as mesmas. Uma menina relativamente feia passou por nós e Santino falou “Até amanhã Alessandra!” Eu não acredito, era a Alessandra, mas como! Tirei minha mão dele e minha visão voltou ao normal. “Como você fez isso?” “Eu te disse, para minha visão a Alessandra é feia”. Minha cara de desentendimento fez Santino se explicar melhor. “Tá bom, eu te conto a verdade, mas só porque você é uma das pessoas mais puras que eu já conheci. Eu tenho um dom que me faz enxergar as pessoas como elas são por dentro.” Eu fui ficando sem ar. “E quando eu te vi, a pessoa mais linda que eu encontrei, eu tinha que te conhecer.” Minha cabeça estava quase explodindo e então tudo escuro denovo. Eu desmaiei.

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