Depende

Acho que essa, afinal, é a palavra que resume a vida. Depende… Do ponto de vista, do que se está comparando, do que se quer, do que pode, do que deve, das condições e muitos outros etc. Depende depende até do depende, se duvidar.

Pra mim, principalmente, a vida é o próprio depende, e não reclamo de viver nessa imprevisibilidade. As hipóteses são benéficas quando se consegue transpor um sentido de possibilidades, e não confusão. A contrariedade ajuda. Confunde, sim. Mas quem é que gosta de viver na certeza?

Houve um certo período que eu considerava a certeza como algo que se deve almejar, que só se poderia ser feliz tendo consciência plena do que se quer, em tudo. Porém, com o tempo, percebi que a incerteza tem suas virtudes e que, com ela, eu aprendia muito mais a conquistar o que queria do que se já tivesse concretude. Eu aprendi a não fazer planos, a não esperar demais. E não foi só por causa da incerteza, mas também de muitos outros elementos que ajudaram a compor todo o quadro.

Não me importo mais com as coisas que me incomodavam absurdamente no passado. De certa forma, tracei um escudo baseado no ignorar. Aprendi a lidar com elas, por mais difícil que tenha sido – e que ainda é, com uma certa tristeza incluída – me adaptar com essa situação nada agradável. As pessoas fazem questão de ser previsíveis e desinteressantes, e eu já não faço mais questão de ficar quebrando a cabeça pra tentar entendê-las, ou pra ficar me decepcionando com o que não irá mudar. Porque todo mundo sabe que é assim, por mais que haja uma vontade mínima de mudança, ela fica só na ideologia. Ninguém quer mudar a não ser que hajam interesses envolvidos, como por exemplo, quando alguém decide implicar com uma opinião sua e travar uma discussão desnecessária, tentando moldar o seu pensamento no dela, transformar os eqüidistantes em um par ordenado, formando um único ponto.

Já conheço como são as coisas, a ponto de olhar pra algo e instintivamente saber o que pode vir a acontecer. E se há algum motivo pra que essa aptidão tenha se estruturado dessa forma, foi com certeza a confirmação das minhas teorias no comportamento alheio, que consegue ser muito repetitivo e, por isso, previsível, entediante e cansativo. Posso ser exigente em querer e achar que as pessoas poderiam ser mais perceptivas e, conseqüentemente, mais inteligentes nas relações que constroem. Mais cuidadosas, eu diria, até. Mas ingenuidade é algo que não tenho mais, e tentar concertar coisas que parecem cada vez mais quebradas é perda de tempo.

Mas e a teimosia? Eu ponho onde? E essa resposta é a mesma dada quando me perguntam por que eu sonho tanto ser jornalista: tentar, a partir do que me faz bem e que me conforta (a.k.a escrita), colocar um pouco de consciência nessas mentes preguiçosas – que só não ganham o adjetivo de perdidas por ainda existir algo chamado esperança – e tentar, ainda, fazer minha parte e calar a teimosia.

Acreditei fielmente que não iria chegar ao ponto que cheguei hoje. Três anos se passaram e em cada um deles tive oportunidade de conhecer uma “nova-eu”. Não as coloco em nenhum tipo de comparação, como entre melhor ou pior. Cada uma teve seu surgimento e duração que deviam, e onde cabiam. Taí, a “nova-eu” de hoje é aquela que não espera mais nada das pessoas nem da vida. Deixa o tempo agir, deixa as coisas acontecerem e vive plena, conformada, feliz e encaixada nesse todo. Apenas com os bolsos cheios de vontades. Como posso me decepcionar com algo que eu nem esperava? Tudo o que vier é lucro e o que pode me desapontar é automaticamente jogado pro lado.

A mudança, por mais que ainda ideológica, deixa que o tempo se encarrega de me trazer quando for apropriado, junto com mais outras “nova-eu” que ainda estão por vir. Por enquanto, pra esse ano, pra atual “nova-eu”, acumular as positividades e vibrações boas tem sido o foco principal. Acumular coisas ruins era coisa da “nova-eu” do ano antecedente. E a vida tem sido muito generosa comigo.

Por isso, deixa a vida depender do depende. Peace and Love para todos.

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