Pass By People

“O que aconteceu?” Como sempre ela sabia que alguma coisa estava errada, que alguma coisa me afligia.

“Como assim?” Como sempre eu desconversava e mudava de assunto assim que possível, porém já tinha postergado muito aquela conversa e, lá no fundo, eu sabia que queria desabafar.

“Porque você está to quieta, o que aconteceu?” Incrível como ela me conhecia e me entendia com apenas um olhar.

“Nada não, eu estou bem.” Menti. Logo em seguida me arrependi e quis contar tudo o que tinha acontecido.

“Vamos, eu te conheço, pode desabafar, aconteceu alguma coisa entre você e as suas amigas?” Mais uma vez o seu sexto sentido de mãe foi ativado e ela atingiu em cheio a pauta daquela conversa.

“É, mais ou menos, eu não sei… acho que sou eu na verdade…”

“Fale, eu posso ajudar.” Se ela podia ajudar eu não tinha tanta certeza, mas eu acho que só o fato de eu falar sobre isso com alguém já me ajudava. Então expliquei tudo, desde as voltas ás aulas até agora, passando pelas diversas mudanças de humor e ações que certas pessoas pareciam ter, e como tudo isso me afetara. Falei também da minha desistência em tentar entender e descobrir aonde eu tinha errado, além da minha desistência em tentar fazer parte da vida dessas. Comentei o quanto eu tentei, o quanto eu fiz, o quanto eu me doei para conseguir estar aos seus lados. Não deixei de explicar a indiferença que vinha da outra parte, a grande indiferença que foi o fator central do meu isolamento. Claro que disse eu não queria me isolar, mas que fui obrigada, não tinha mais forças para lutar contra isso. Me corrigi ao dizer que na verdade o principal fator rodava em torno das mentiras que me contavam, das enganações e das omições. Ao terminar estava ofegante, cansada de tudo e de todos, e machucada por reabrir esta ferida. Meu rosto estava molhado e meus olhos embaçados. Minha mãe tocou meu rosto a fim de limpá-lo e olhou para mim. Percebi que era sua vez de desabafar.

“Eu sinto muito filha, queria que você tivesse me contado isso antes, você pode contar comigo pra tudo, e principalmente para isso. Nós vamos superar essa situação, juntas como deve ser.”

“Obrigada mãe, eu sei que não falo muito isso, mas, eu te amo, muito, você é a única pessoa que eu não consigo viver sem, então obrigada, de verdade.” Voltei a olhar para frente e fitar a TV sem ouvi-la, pois por um breve momento meu pelas palavras da minha mãe. A gente ia dar um jeito, com certeza, com ou sem certas pessoas.

Advertisements

2 thoughts on “Pass By People

  1. Igor diz:

    Em um simples diálogo, ou até mesmo em uma singela troca de algumas palavras pode-se perceber que há um algo a mais. Foi isso que encontrei por aqui, lendo e relendo teu texto!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s