My turn to f*** you

   E tinha começado o jogo de olhares e gestos que eu tanto tinha sede por, que eu tanto tinha sentido falta nos últimos sete meses. Começou simples, eu estava dançando ali no canto, sozinha como constantemente era, quando ele fixou o olhar em mim. No começo desviei meus olhos daquela face belíssima, porém como que por magnetismo voltava a fitá-lo e apreciar aquela criatura maravilhosa. Estava meio sem prática nesse tipo de situação, uma vez que me dediquei esses sete meses á procurar, à toa, resquícios de seu amor por mim. Mas agora você não estava ali e tinha que colher os frutos de me deixar sozinha todo esse tempo. Não hesitei e tirei rapidamente minha aliança colocando-a no bolso do meu shorts. Voltei a me focar na dança, rebolando e mexendo meus braços á procura de um sinal dele, era a sua vez de fazer um movimento no nosso pequeno jogo. Não tardou muito e a distância entre nós caiu pela metade ao mesmo tempo que os olhares dobraram. Parei de dançar aos poucos e fui para o bar, mas sem descuidar dele, pois sabia que se quisesse chegar ao final disso- e ah como eu queria- teria que apressar as coisas. Seguindo meus planos ele me imitou e foi para o bar também, sentando ao meu lado e começando a puxar assunto.

    Sentia-me viva como nunca, desejada como nunca, atraente como nunca.

    Se posso fazer um adendo, meu plano nunca foi arranjar um amante para desfrutar durante tempos, mas sim sentir o gosto da traição uma vez rolando pelo meu corpo, eriçando os pelos da minha nuca e me fazendo ter calafrios só de pensar que você poderia descobrir, o que melhorava aquela loucura em pelo menos dez vezes.

    Ao sentar no bar senti pressionando minha perna o tal objeto circular. De repente lembrei da aliança e de tudo o que ela representava, as memórias que ela trazia a tona, e achei irônico o fato de me sentir livre sem ela, como se fosse uma algema no meu braço ao invés de um símbolo de união. Varri aquele pensamento da minha mente e voltei para a realidade, canalizando minha euforia no meu objetivo.

   Se você quiser eu paro por aqui, você ta ficando meio pálido, estranho… Não?! Então tá, eu sempre achei você meio masoquista mesmo, poucos ouviriam os detalhes de como sua namorada o traiu. Mas… Enfim, depois de horas de bate-papo que eu nem sequer lembro o conteúdo, nós nos beijamos e, pelo resto da noite, repetimos aquela imagem.

    Sério, você tá com uma cara meio de psicopata, eu acho melhor eu ir embora… Ou não né, calma, calma, eu termino. Mas na realidade não tem mais muito o que contar. Não, nós não passamos para a próxima fase, mas eu seu que ele queria. No final não senti remorso algum, na realidade me senti bem comigo mesma, um sorriso se esboçou no canto da minha boca quando pensei no seu sofrimento. Você tem que admitir que você mereceu aquilo. Ah sim, se eu pudesse voltar atrás faria tudo de novo. Até mais.

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