Desarmada como “escritora”

O problema de querer muito uma coisa é que as expectativas crescem mais do que deveriam e a decepção é, via de regra, maior d que podemos suportar. Você não teve culpa da minha decepção, afinal quem se decepcionaria com tudo o que você fez, todas suas palavras doces e inestimáveis, seus afetos viciantes e olhares de pura admiração? Bom, uma mulher que esperou e idealizou isso conseguiu a façanha de se decepcionar. Deve ser, muito provável, o maior clichê que existe, mas, não é você, sou eu. Nunca foi você e sempre, todas as desnecessárias vezes, fui eu. Fui eu quem se afastou, quem de repente ficou fria e quem, sendo curta e grossa, parou totalmente de se importar.

E qual é a minha desculpa?! Eu sou complicada demais, ingênua demais, hipócrita demais e, sinceramente, eu venho me odiando nas ultimas vezes que parei para olhar o que fiz e quem machuquei. Talvez você deveria me odiar também, mas isso só sou eu sendo egoísta ao ponto de querer facilitar as coisas para mim. Porém se você me odiasse a partida não seria tão dramática e melancólica, seria apenas você batendo uma pá de areia sobre o nosso breve relacionamento e eu saindo com uma incerta e raivosa perspectiva de mim mesma.

Sim, eu ainda penso em você quando encaro outros olhos, mas o problema – sempre há um problema – é que meus pensamentos são comparativos, e você, muitas vezes, não se sobressai. Como eu disse: estou me odiando.

Há um velho senso comum que diz que quando conhecemos alguém e logo em seguida ficamos sem ver essa pessoa por um tempo, as suas qualidades são o que fica gravado em nós, não os defeitos. Comigo foi ao contrário – claro que tinha que ser, meus sentimentos são todos tortos – e a distância tornou seus defeitos aparentes ficando impossível de enxergar suas maravilhosas qualidades. Qualidades que outras pessoas merecem receber de você.

E é aí que meu lado hipócrita se aguça, julgando que eu sou tudo para você enquanto você é meu antônimo. Mas será que minha perturbada cabeça não inverteu os papéis? É quando a hipocrisia se torna egocentricidade que eu não consigo mais me agüentar, sendo obrigada a terminar esse texto cheio de clichês e breguices e pensar: muito bem, se você queria fazer ele te odiar está no caminho certo.

Cara, como eu sou estúpida.

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3 thoughts on “Desarmada como “escritora”

  1. 6dejulho diz:

    É guria teu post me fez pensar. Estou passando por essa situação, ando sendo estúpida e inventando desculpas pra fugir de tudo que levo aqui dentro. É que foram muitas feridas, e cicatrizes e me encontro sem saber o que fazer. Sei que a resposta tá aqui dentro mais a pergunta é: Como lidar com as coisas que sentimos, por dentro?

    • Andriê diz:

      pois é “6dejulho” é isso que eu tento responder sempre… Mas isso é muito pessoal sabe, cada um sabe como fazer pra aliviar o aperto de segurar tudo trancafiado no peito, meu jeito é escrever. Escrevendo eu me sinto mais livre e realizada por dentro! Ache alguma coisa que te satisfaça e que você possa expressar o que você sente, e, com certeza, vai ajudar muito!! e muuuuuuuuuito obrigada por ler nossos textos e comentar aqui. Vcs nos ajudam a continuar escrevendo sempre!

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