Too truth, not so much of a fancy one


Ontem fui deitar com os meus olhos imersos em lágrimas e, ao tentar cair no sono, uma única frase ficou grudada em minha cabeça: “nunca a escolhida”. Repeti esse meu doloroso mantra até me convencer que chorar no silêncio da noite era menos humilhante. Já tinha sido humilhada demais por todas as pessoas que foram escolhidas antes de mim. Todas as pessoas que você escolheu para amar, enquanto eu estava ali do seu lado – invisível demais para você perceber, porém não tão invisível para não me machucar – dentre todas elas tenho certeza que nenhuma te amaria como eu, te escreveria cartas como eu, te alegraria como eu, riria com você como eu… droga! Nenhuma iria muito menos jogar Diablo com você ou te fazer um sanduíche como eu faria. Mas isso não importa, porque no final do dia não sou eu que beijo os seus lábios, são elas; e não são elas que escrevem textos às duas e quarenta da manhã, sou eu.

Sabe, tem dias simplesmente insuportáveis, dias que a cantina é um inferno lívido e, por pura brincadeira de mau gosto do universo, o único lugar disponível para sentar é atrás de você com a sua – Deus, nem sei o que escrever aqui – lady friend. A não escolhida de novo atrás da escolhida… Rindo muito universo?!?

A comida, já sem gosto, ficou engasgada na minha garganta, junto com todo o resto que eu queria falar para você e, narcisista da minha parte ou não, jogar na cara daquela menina tudo o que uma mulher como eu podia te oferecer. Mais uma vez, não importa. Eu não falei nada disso mesmo. Eu simplesmente fui terminar meu almoço em outro lugar, não suportava mais a ânsia de ficar ali, fisicamente junto o suficiente para te tocar, mas emocionalmente em nenhum lugar perto disso.

A pior parte é não poder contar com meus amigos nessas horas. Culpa minha, claro. Eu me cobri com essa máscara de desencanada e brincalhona, então quando você passa batido por mim minha cara é a do maior estilo “tudo bem, nem queria mesmo”, mas por dentro eu realmente morreria só por você virar a cabeça e me olhar de relance. Por isso não culpo nem um pouco meus amigos por eles não saberem o que eu realmente sinto, o quão humilhada eu fico e quanta força eu tenho que fazer para não chorar quando a noite chega e a solidão ocupa o seu lugar na minha cama. Eles provavelmente devem pensar que eu sou indiferente pela sua escolha. Bom, eles não pensariam isso se pudessem me ver agora, duas e quarenta e sete da manhã, deixando minhas lágrimas molharem o papel do meu caderno velho de anotações que eu deixo na segunda gaveta do meu criado-mudo, enquanto termino esse texto que saiu mais verdadeiro do que eu imaginava e menos rebuscado do que eu pretendia.

Dormir agora é a única opção para cessar meu choro e tentar recuperar o pouco de dignidade que me resta, mesmo sabendo que isso é um caso perdido. E para terminar com mais uma hilária brincadeira do universo vou dormir, mais uma vez, com lágrimas nos meus olhos, na mesma posição fetal, excluída do mundo exterior, dos outros dias.

A eu-brincalhona diria: “universo, vou quebrar a sua cara quando te encontrar”. A eu-verdadeira diria: “nunca a escolhida, sempre a mais machucada”.

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