Via

Parada. Assim, atônita a encarar a encruzilhada que se abria em minha frente. Sem conseguir pensar, decidir qual caminho seguir. Cheia de vontade e coragem para arriscar.

Tomei um copo de vinho. Esperei a brisa. Encarei as bifurcações… e nada. Enquanto um caminho conquistava-me pelos seus indícios suaves e promessas de calmaria e conforto, o outro me olhava com um dos olhares mais fortes e vibrantes que eu já vira. Era algo que me fazia perder a razão sem necessariamente perder o raciocínio. Encantava-me e envolvia-me no seu compasso, e era uma dança inevitável.

Por mais que eu quisesse seguir em frente, os dois caminhos puxavam-me e afastavam-me concomitantemente. Dei passos, recuei, percorri alguns metros de cada caminho. Arriscar é a única opção que me restava. Mais uns goles do vinho. Encarando agora a não tão nova estrada que se refazia ao meu lado. Querendo e não querendo estar ali.

Havia um aperto no peito, uma confusão na cabeça que eu silenciava com mais vinho. “Só um sinal”, eu clamava, “qualquer um”. Claro o suficiente para que eu soubesse o caminho a seguir, não como os vários pequenos sinais que cada caminho me dava.

Com mais vinho circulando pelo corpo e com a cabeça adormecida, apesar do coração parecer uma bomba relógio prestes a explodir, vi-me em meio à uma rotatória. Quase sem saída, eu me vi obrigada a escolher. Com o peito envolto em meus braços, ainda ofegante, um pouco anestesiada pelo vinho, eu achei uma saída. Não se tratava de escolhas. Ou melhor, tratava-se do fato de que eu nunca abri uma estrada só para mim. Para fugas, aos olhos de quem está de fora, e para encontro, visto não só com meus olhos, mas sentido com o coração e entendido pela mente. Uma escolha que se tratava de escolher por mim. Um lugar que eu pudesse estar em paz, achando o equilíbrio desequilibrado ao meu modo, não tendo de me preocupar em abdicar de cuidados que me beneficiassem. Não tendo de escolher, e sim ser a estrada em que alguém quisesse se arriscar. Um caminho que acompanharia qualquer outro que quisesse saber o que há depois de cada curva.

Às vezes a gente só precisa perceber que a resposta tá aqui, simples. Que a vida não se resume só em saber por qual caminho andar, e também em construir um próprio onde nossos passos sejam seguros e que dêem a oportunidade de ver quem arriscaria seguir ao seu lado. Sem precisar desistir da própria estrada, apenas compartilhando o mesmo rumo.

Apenas seguindo.

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