Código de silêncio

Dói saber que a gente prefere o silêncio. É horrível a sensação de saber o que quer dizer e ver claramente nos olhos alheios que eles dizem a mesma coisa, mas ambas as gargantas se calam. É triste ver que histórias que renderiam um enredo tão bonito acabem mesmo antes de começar, por puro medo. Medo de afirmar coisas simples. E a gente não deveria ter medo do que é bonito.

Tanta coisa perdida por um quase nada. O pior é saber que basta falar, e não conseguir. É sentir o desespero batendo como se você estivesse se afogando a poucos metros da superfície e simplesmente não conseguisse emergir, continuando lá, se debatendo, podendo enxergar a luz do sol. A angústia consome, faz com que a gente simplesmente desista de se debater e deixe ser engolido pela imensidão. Por alguma vezes, porém, o instinto de sobrevivência não nos permite. A teimosia de não querer morrer, de não entender por que desse jeito, de não achar digno, faz com que o peito inche de uma vontade que, novamente, pelo medo, grita silenciada tentando dar sinal de vida em pequenos atos desesperados e muito pouco notáveis. Como uma palavra, um olhar e até mesmo um sorriso.

O desespero é tanto que a gente é capaz de rever todos os passos e agradecer toda e a qualquer coisa que nos tenha acontecido. Você simplesmente quer respirar de novo, viver de novo, sentir só mais uma vez pra dizer que não, não acabou. Ainda queima ali dentro.

E é assim que a gente se afoga ainda mais. Queimando por dentro, desesperadamente. Sendo engolidos pelo silêncio, torturados por lentas delicadezas. Sabendo que bastaria uma palavra. E tudo isso porque em algum momento tudo se perdeu. Porque em algum momento o orgulho venceu a ação. E eu sei que é orgulho. Que é medo. Medo de saber o que é que vem depois. Medo de perder algum resquício que de alguma forma se tornou tão seu, que ninguém pode dizer que não lhe pertence. Medo de ser eu mesma. De tirar a capa que me encobre pra te mostrar que sou eu e isso me deixaria exposta demais.

Então eu preferi o silêncio. Em acreditar no que seus olhos supostamente me dizem. Esperando algum movimento de seus lábios para que eu possa esboçar alguma reação. Só que lá no fundo, bem no fundo, eu já te escrevi mil bilhetes dizendo coisas tão bonitas e tão simples, que podem assustar. Que podem parecer até mais do que é. Por ser simples e a gente não saber lidar com isso.

Eu só queria te dizer que o silêncio gosta de gritar, às vezes.

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