Lucy in the sky with… my hope

 

“Então chegamos a esse ponto” – reflito comigo mesma.

“É, não estou feliz com o resultado, mas se vamos reduzir tudo ao simples somar dos fatos, é, chegamos a tal ponto.”

“Mas eu não entendo, como justamente nós, românticas assumidas, conseguimos nos render e minguar ao fato triste e solitário de acabar com a esperança?! Quem faz isso?! Quem acaba com um trunfo desses quando se é a única coisa que te faz levantar de manhã?! Isso é masoquismo!”

“Uma pessoa desesperada faz isso, uma pessoa casada faz isso, e se você não fosse tão orgulhosa ao ponto de não admitir o quanto a esperança te machucava, o quanto ela dava margem para erros idiotas, você também estaria aliviado.”

“Só que você não está aliviado com isso…”

“Como assim? A ausência da esperança me deixou mais livre…”

“Livre pra que?! Bater mais forte quando se deparar com um novo amor? Ou desacelerar despreocupadamente quando se sentir seguro nos braços do amado? PORRA NENHUMA! Você está livre agora para bater regularmente pelo resto da nossa vida, você irá torcer para que nós tenhamos um  problema cardíaco só para que de vez em quando você mude um pouco o ritmo de seus movimentos a fim de tentar sentir alguma coisa. O que não vai acontecer.”

“Eu não tinha pensado nisso…”

“Por isso você é o coração, e eu sou a mente.” Por um momento o silêncio constrangedor tomou conta de mim, enquanto eu tentava decidir se minha decisão tinha sido precipitada ou não. Foi meu coração que finalmente quebrou o meu estado de inércia se proclamando enfim.

“Mesmo assim eu não a quero de volta, não aguentaria mais um ciclo dessa tortura: a alegria inicial tomando cada célula minha, te inundando de sonhos ridículos e me forçando a sentir como se todo o cosmo se alinharia para a minha felicidade. O desespero ao tentar arranjar desculpas para tudo o que inevitavelmente deu errado entre nós. E por último a depressão por se sentir traída, trocada, usada ou ignorada, e sim, essa é a única variável.”

“Eu queria poder te dizer que no futuro não vai ser assim, mas..”

“Mas não há nenhum indício de que isso vai mudar, é eu sei. Essa parte é a que mais machuca, de longe.” O silêncio faz sua segunda interrupção em meu pequeno monólogo deixando livre para as lágrimas seguirem seu curso natural até meu travesseiro.

“O que a gente fez?” – lamenta o coração.

“Merda…” – conclui a mente.

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