Me diz

Mudou tudo aqui dentro de mim. Aquela calmaria que eu me gabava sobre você se transformou em uma inquietação sufocante. O nosso silêncio, que me deixava confortável, até, agora me agoniza, corrói e atiça a ansiedade dentro de mim.

A pressa pra te dizer tudo que eu escrevo agora vem de todos os motivos que já insinuamos em nossas conversas. Vem do meu passado, das nossas histórias quebradas. Do meu desespero de não conseguir enfrentar mais um longo hiato de causa mal resolvida, ou melhor, de uma causa sem motivos e sem tentativas concretas.

Posso fechar os olhos e sentir de imediato o desespero que senti ao acordar do seu lado. Meu coração batendo forte por não saber lidar. Até ali eu tinha achado que o meu coração ter batido depressa era pura inquietação por não estar confortável. Mas a verdade é que era medo. Medo de querer acordar ali mais vezes. De ficar. Medo por não saber se era mesmo aquilo que eu queria, porque eu nunca tivera a chance de experimentar antes. Às vezes eu queria ter tido essa experiência que eu evitei há anos por vontade própria só para não ter fugido aquela única vez. Contudo, ainda assim, requereu muita coragem. Porque eu jamais me despira e até mesmo tiraria a maquiagem, deitaria com os cabelos molhados e despenteados na frente e com alguém se eu não me importasse. Se eu não tivesse confortável o bastante.

O fato é que eu não quis deixar isso sair do controle, porque eu gostava da naturalidade com que isso se construiu. Eu gostava de ter minhas conversas inúteis alimentadas, de abrir minhas mensagens e ler algo que não teria importância além do fato de me fazer sorrir. Saber de que alguma forma você estava como eu. Gostando de alguma coisa que preferia não saber. De curtir nossa liberdade exclusiva quando próximos. Eu não posso mentir dizendo que lá no fundo eu não sabia que era assim, que existiam muitos poréns no meio do caminho. Só que de alguma forma você me fazia sentir que não importava.

Mas e agora? Eu te pergunto. Te peço: me diz. Me diz que faço tanta falta quanto você me faz. Me diz que isso tudo era sim um pouco mais. Ou então me diz, menino, qual é a sua? Qual é o problema? Eu nunca quis nada mais do que sinceridade. Por que fazer tanto se no fim tanto faz? Me diz, me diz então que não importa. Que você é assim e que continuaremos vivendo de metades vazias e outras quebradas. Só não me convida pra entrar se for pra me deixar no meio do salão.

Me diz. Eu sei que devia ter dito tudo isso antes, de alguma outra forma, talvez. Mas acredito que me conheça, que escrever foi e é meu melhor e mais sincero jeito de dizer. Você sabe que eu não sou criança. Que eu posso ser muito orgulhosa, e por esse motivo estou enfrentando muitos bloqueios pra dizer que sim, eu me importo. Que sim, eu gosto. Que sim, eu esperava um pouco mais. De ambos. E que sim, eu estou me permitindo não desistir, enfrentar e lutar. Eu só não vou e não quero fazer isso sozinha. Eu cansei, como te disse há alguns meses. Chega uma hora que pesa. Então me diz, qualquer coisa. Me convida pra dançar ou então me deixe no bar. Eu não fui feita pra ficar no meio de um salão tão confuso quanto meu próprio peito.

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