Querida insanidade

Tentando reunir a coragem que não cabe a mim, com a certeza, que nunca se fez presente em minha vida, me deparo com você, todo alegre e sorrindo, mexendo os lábios formando palavras doces e reconfortantes. A coragem é requisitada quando essas doces palavras já não são mais a atração principal que eu quero da sua boca. Claro que apenas o fato de eu requisitar minha escassa coragem não à torna presente, e volto a trocar o irreal cenário de te ter nos meus braços pela bruta realidade de andar para o lado contrário do seu.

Encontros programados, risadas abafadas, pontos de ônibus perdidos propositalmente, planos de meses feitos em segundos, decisões tomadas. Ao mesmo passo que encontros não são concretizados, risadas são de nervosismo, indiretas em forma de textos, planos se desmancham em questões de segundos, decisões tomadas… individualmente. O ciclo vicioso se repete e a minha paciência se esgota. A incapacidade do meu sucesso amoroso me irrita profundamente e inicia o meu modo de defesa mais instintivo: o humor. Finjo estar tudo bem; finjo não me importar; finjo rir de tudo. Finjo é a palavra chave. E quando minha inércia de fingimentos é quebrada caio em prantos nos lugares mais inoportunos: ruas, carros, baladas; e, é claro, no lugar clássico: o quarto.

Vou aos poucos trocando o viver pelo sobreviver, numa tentativa falha de me reerguer sobre a fuligem da idéia do que seria o nosso amor, tão prematuramente dizimada. Idéia é a palavra chave deste parágrafo. Admitir que você não pensa em mim o tanto quanto eu necessito é o primeiro passo da minha rehab emocional, seguido por uma série de filmes românticos evitados, assim como músicas do Coldplay e Muse – sorry guys… Recomponho-me vagarosamente – com baby steps se for prosseguir com as gírias em inglês – até que o sorriso falso não é mais um requisito imediato e posso finalmente usar o natural. O reparo não é definitivo, ele só é válido até a próxima vez que você abrir um sorriso pra mim e eu, como um dos tantos fracassos de reabilitações, voltar a me deleitar nas minhas fantasias alucinógenas. E você é, mais uma vez, a razão da minha insanidade. Image

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