Danger Ahead

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Tendo a distribuir minhas segundas chances muito fácil e aleatoriamente, e me pego afundando em arrependimento em cerca de dois terços desses casos. Não consigo evitar, sou uma darwinista que acredita na evolução do homem – e do “ex” também – e que se vê inclinada a considerar falsos arrependimentos alheios e brilhantes promessas de futuros a lá Disney e seus “felizes para sempre”. Mas a vida, se fosse um roteiro de livro ou filme, não seria de autoria de Walt Disney com participação especial de seus personagens cantantes e dançantes, felizes haja o que houver e puros de corpo e alma; não, a vida está mais para uma adaptação de George R. R. Martin e suas traições, mortes, desastres e sim, um ou outro pseudo-final feliz camuflado nessa histeria toda.

Infelizmente a poeira na nossa histeria é muito densa e bloqueia qualquer tentativa minha de ver o nosso final pseudo-feliz. Eu tomei isso como um sinal de que mesmo é uma utopia. Eu tomei isso como um sinal de que o mesmo era uma utopia da primeira vez também, então meu julgamento está disposto à perícias futuras. Por isso você se encaixa nos 66% que eu voltaria atrás e o qual a porta eu fecharia, trancaria, cimentaria e por fim colocaria uma placa de “Possível coração em pedaços à frente”. Mas a dura realidade é que eu já bloqueei sentimentalmente muitas portas que no fundo precisavam da tão superestimada segunda chance.

Sinto-me diariamente tentada a pegar uma marreta e reabrir algumas dessas aberturas pré-cimentadas, porém – e essa é a beleza do sentimentalismo – agir assim não é uma decisão unilateral e necessita, para se concretizar, do desejo do outro. E ta aí uma coisa que eu já não tenho mais: o seu desejo; a provável parte mais importante dessa equação. Fechei tantas portas – ou melhor, me dando o direito de criar palavras aqui, “refechei” – que me habituei em podar as chances muito cedo e tirar e recolocar em jogo sentimentos que não foram feitos para isso. E enfim, me acostumei com a dor, com o vazio, com a solidão. Acostumei-me principalmente com a rejeição – a precursora dos outros sentimentos citados acima – mas mesmo acostumada ainda a sinto ali no cantinho, espreitando todas as minhas tentativas de felicidade, pronta para se jogar em mim e me derrubar junto a ela. Mas, pensando bem, eu nunca estarei sozinha, os fantasmas das minhas poucas segundas chances erroneamente não dadas sempre estarão comigo.

Eles me assombram.

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