It´s effortless to say “I love you guys”

Voltando pra casa da faculdade, sozinha, resolvi colocar meus fones de ouvido e os deixar fazerem a mágica deles: me teletransportarem para um mundo paralelo onde tudo se encontra onde deveria estar, tudo se encaixa perfeitamente, sem esforço, um mundo paralelo muito foda. De repente meu Ipod me surpreende e me joga para outro mundo paralelo, dessa vez um mais nostálgico, saudosista ao extremo, e fitando os pingos de chuva na janela enquanto ouvia Glória – Curitiba e seu dom de transformar um simples passeio de ônibus em cena de filme – voltei dois anos da minha vida. Dois anos apenas, não muita coisa, confesso, mas anos muito importantes sim. Dois anos de mudanças, dois anos de saudades, dois anos de lágrimas choradas num só dia: nossa formatura. Lembro da gente chorando e ao mesmo tempo nos perguntando o porquê das lágrimas, afinal nossa amizade seria a mesma. A resposta todos nós sabíamos, mas ninguém se atreveu a falar. A verdade era que o medo desses momentos ficarem apenas na memória era grande, assim como a necessidade de ter o conforto de vocês todos ao meu lado, dia após dia. Mas isso ninguém conseguiu falar no nosso “último dia estudando juntos”, na verdade não conseguimos falar muita coisa, apenas uns “eu te amo” soluçados e muitas promessas de encontros e saídas futuras, e que por sinal, estão em dívidas.

Quase perdi meu ponto de saída do ônibus distraída com as lembranças das nossas tardes no pátio ouvindo música, tentando cantá-las, dormindo sob o raro sol de Curitiba, tentando entrar num consenso de onde os quase – as vezes mais de – dez amigos queriam ir almoçar. Trabalho árduo das quartas feiras de manhã. Perdi-me também nas conversas antigas, nas piadas internas, nos trabalhos em grupo e nos inúmeros “não quero falar sobre essa prova!” que eram ignorados e interrompidos pelos “qual vocês colocaram na sete?”. Enfim, me deixei ser inundada por mais de dez anos de boas lembranças.

E chegou o início de 2012, alguns foram pra UFPR, outros para a PUC, FAE, tiveram os amores que tentaram cursinho de novo, alguns bobos foram pra UP (sim, você sabe o porque do bobo, lindo!), sem contar uma exceção que nem no Brasil está mais; Começamos a nos autodenominar futuros arquitetos, jornalistas, médicos, empresários, engenheiros, advogados; nos achamos demais com as novas carteiras de motoristas; nos achamos demais com as novas responsabilidades; nos ferramos com as novas responsabilidades; mas continuamos contando nossas histórias uns pros outros, fazendo as mesmas piadas internas, rindo das mesmas bobeiras continuamos na mesma sintonia, e agora além do título de “futuros profissionais” eu tenho a certeza que cada um de vocês terá o título de “futuros melhores amigos de infância”.

Obrigada pelos anos dourados com vocês, pelas boas risadas e pelas lembranças futuras.  Obrigada por serem sempre acessíveis aos meus ataques de choro no meio da noite. E muito obrigada por estarem dispostos a continuarem fazendo nossas loucuras que se transformam nas melhores lembranças.

Pra mim é fácil falar “eu amo vocês, seus putos!”.

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