Síndrome do papel em branco.

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Vejo-me presa ao tentar começar um texto, odiando e apagando cada frase que inicio. Tudo que escrevo parece repetitivo e maçante, como se já estivesse escrito aquilo, como se aqueles sentimentos já tivessem sido descritos neste pequeno caderninho que me segue por onde vou.

A repetição é tediosa e inquietante.

O fato é que tudo que eu sinto por você eu já escrevi, mostrei e demonstrei. Joguei todas as minhas cartas na mesa, dei vida ao meu ódio, afeto, desejo, à minha dúvida, enfim, está tudo ali, disfarçado e destrinchado nos textos anteriores. Expus-me por você, fiquei vulnerável ao seu lado, inquieta como uma criança que se gruda no braço da mãe esperando um doce. O doce dos seus lábios nos meus, o doce do seu sim apaixonado. Mas assim como a mãe ignora os pedidos estridentes do filho, você desacreditou em mim, e olhou por através dos meus infinitos sinais. Sim, eu admito que essa suposta criança a qual me assemelho é, e agora não me vem à cabeça nada mais adequado, um tanto quanto pentelha. Pentelha por ter te procurado depois que tudo parecia acabado e distante demais, pentelha por te forçar a me dar uma resposta, e no fundo pentelha por continuar com medo de ficar sozinha.

Sua alienação ao nosso relacionamento não me ajudou em meu trauma, assim como não contribuiu nas nossas segunda, terceira e quarta tentativa de sermos algo mais. Ou até mesmo, de sermos algo. Sempre tento lembrar-me de fazer essa distinção, se o que a gente teve chegou a se solidar, ou se não passou de um deslize, uma curva no meio do caminho que eu não devia ter feito. Ah, como eu queria não tê-la feito. Como eu queria voltar quando nos conhecemos e passar reto por você, te deixar ali do lado, no sofá escuro da nossa amiga em comum, sem me conectar, sem te admirar. Eu desviaria das dezenas de balas que estão me atingindo agora, uma a uma, sem cessar, todas no mesmo ponto. Quem sabe eu não estaria agora perdida em sentimentos confusos, fadada a escolher o que será melhor pra mim no futuro, ao invés de me deixar guiar pelo instinto mais básico – minha vontade de te ter de novo, minha ânsia carnal por você, meu desejo pelo seu amor. Afinal, no fundo eu sei que você foi o meu auge e o meu declínio, a minha história de amor épica e meu desastre homérico. Você me ensinou a amar, e me mostrou o que é decepção, você foi o meu melhor por muito tempo, e o meu pior por um tempo maior ainda.

Você foi a minha grande lição.

E o que tirei de mais importante nessa história toda? Eu te amei. Muito. Mas tive que aprender a me amar mais e a ser forte e te deixar ir, afinal uma coisa que soa tão bem quanto o amor, não deve ser complicado. No fim, cansei de apertar o botão “restart” no nosso jogo falho, de tentar consertar os seus erros. Cansei de te defender quando quem estava sendo atacada era eu, de ouvi de tantas pessoas importantes para mim que você não me merece.

Cansei de escrever sobre você.

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