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inevitável

Eu gostaria de dizer para você nunca mais encostar seus lábios nos meus, porque é a partir dai que tudo estraga. E é justamente a primeira coisa que a gente faz. Inevitável e irresistível. Eu sei. Porém, destrutivo também. Provoca uma sede compulsiva. Deixa dentro de ti um pouco do outro e esse pouco parece que aumenta a cada novo beijo, a cada nova separação, a cada nova visita. Daqui a pouco vira um muito tão grande que, quando é desfeito, tira um pedaço enorme de ti.

Eu não sei por que é que a gente tem que complicar tanto as coisas. Nada pode ser levado aos poucos – quase que inocente -, como se você quisesse atribuir cada pequeno detalhe de outrem para si. Eu sei que é horrível a angústia de não saber o que é que se tem em mãos, se você pode definitivamente segurá-lo. Mas eu gosto dessa coisa de sentir entre as pontas dos dedos. Dessa coisa de sorrir pelos ares por qualquer coisa boba. De ficar feliz com qualquer insinuação.

Às vezes eu acho que a vida deveria ser feita dessas pequenas provocações. Essas do início de qualquer relacionamento, que mantém viva aquela chama, aquela angústia, aquela vontade de encarar aqueles olhos novamente. Aquela coisa sem pressa, mas que te invade como uma avalanche causada por um pequeno estalo. Eu nunca perdi isso com você, sabia? Eu ainda fico extremamente feliz com cada mensagem. Eu ainda tremo só com a possibilidade de te encontrar. Meu coração ainda dispara cada vez que encontro seu sorriso. Eu ainda sorrio ao imaginar qualquer pedacinho de futuro.

É como se a cada novo encontro ainda fosse a primeira vez. Mas uma primeira vez ainda mais prazerosa. São brilhos nos olhos e sorrisos de quem já sabe, mas parece nunca parar de se surpreender. Parece que a distância aproxima. Lembranças e sorrisos surgem, porque no fundo a gente sabe o que guarda. Nós sabemos que apesar de ser complicado por fora, lá dentro sempre foi simples. Sempre foi desejo e carinho, dos mais verdadeiros.

Eu acho que nós sempre fomos o inevitável. A vontade que eu ainda sinto de você só me comprova isso. Se eu pudesse, teria parado o tempo e o mundo para o momento em que eu estava em suas mãos, na primeira vez. Nós ainda não tínhamos nos beijado, mas você me segurava de um jeito que dizia ‘você é minha’, e eu sem saber já era mesmo sua.

Eu teria parado o tempo e a vida no momento em que dormimos juntos e abraçados. Eu desaceleraria os segundos só para que a sensação de ter seus lábios em minhas costas durasse mais. Eu teria parado o tempo, porque são essas sensações simples que deixam a vida mais leve. Que deixam aquele sorriso no canto da boca o dia inteiro. Que nos fazem encarar qualquer situação com simpatia, com calma.

Eu queria ter parado o mundo para que continuássemos sendo o inevitável, pelo resto de nossas vidas.

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