Emancipação

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Não sei escrever sobre coisas boas, felizes. É uma falha minha, um erro que sempre tentei corrigir, mas que secretamente não me importo em carregar. Veja bem, eu enxergo uma beleza única e natural na tristeza, há um “quê” no desespero de um coração partido que me atrai para o papel e o lápis, e que forma frases melancólicas e cenas dramáticas em minha mente. Claro que as tais cenas – em sua maioria – são extremamente inspiradas e influenciadas pelas próprias cenas vividas por mim, na minha vida não fictícia, na vida fora do papel. No fundo, escrever é quase como um ritual meu, no qual a minha história deixa de ser “pessoal” e passa a ser “de minha autoria”, se torna apenas um caso que eu ouvi no ônibus ou na faculdade sobre a prima da amiga de alguém.

Prazer, eu sou a prima da amiga de alguém.

É sempre mais fácil de falar, resolver e tomar decisões quando a história em pauta não é a sua, quando o belo desespero de um coração partido não emana de dentro de você. E é por isso que eu escrevo – mesmo sem muitas palavras rebuscadas, mesmo sem muitas frases perfeitamente construídas – para aquietar as angústias do meu peito e me fortalecer para a próxima vez que uma “cena inspiradora” vier batendo em minha, não fictícia, porta.

Claro que eu enfeito um pouco minhas histórias – e quem não o faz? – mas eu sei, a contragosto, que esta é apenas uma das minhas artimanhas para justificar minhas exageradas reações. É-me intrínseco rotular um porquê em tudo, tentar enxergar razão na sequência de atos de alguém, porém esqueço-me de um pequeno detalhe: sentimentos não precisam de razão, são criados sem um porquê específico. Elas apenas existem, se instalam num canto da sua mente e se aquietam, até você finalmente as notar e, a partir daquele ponto, elas se tornam tão óbvias que são impossíveis de ignorar. Por isso não as ignoro – não seria louca de fazê-lo – pelo contrário, as emancipo em forma de textos, dou suas próprias identidades e histórias num pequeno caderno azul que não sai da minha bolsa, e espero – desespero – que fique mais fácil encará-las assim.

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