Mal de Vinicius

Ou sobre como eu encontrei o amor.


namorados

“Mal de Vinicius”. Esse foi o nome que dei para o meu desespero de não encontrar o amor verdadeiro. Tudo porque em alguma aula em algum ano eu soube que todas as suas poesias eram forma de sentir o que nunca encontrara. Eram seus mil amores, dentro e fora do papel.

Poetas adoram escrever sobre o amor. Eu nunca soube escrever poemas, apesar do tema também me encantar. Tentei de tudo, fui até a terra de Vinicius, desandei em paixões, acreditei que superar o medo de se abrir fosse a fórmula mágica.

Acontece que a gente desaprende que o amor é mais simples do que parece. Que, na verdade, é a primeira coisa que aprendemos assim que viemos ao mundo. Que o amor obedece a mesma fórmula da vida: acontece naturalmente. É gratuito, é o simples amar porque se ama. Não há explicação. E é por isso que falar de amor é clichê, é batido. É por isso que tantos poemas, histórias e até guerras se fizeram por ele. Amor é o desespero de se achar a resposta, de encontrar o alívio do saciar da teimosa mente humana, que quer porque quer saber de tudo.

Você já ouviu que amar é coisa que só os loucos sabem. Ou que o melhor da vida é morrer de amor e continuar vivendo. Ou como tantas outras frases de quem já tentou explicar o inexplicável. Amor é clichê porque é comum, porque é “fácil”, e ainda assim não existe nada mais bonito. Peço desculpas em querer me atrever a interpretá-lo, mas, como diria Elton John, é o melhor que eu posso fazer.

Pode ser até pretensão dizer que eu o encontrei, que, assim, com tão pouca idade, eu já tenha certeza do que “ainda não entendo”. Mas, uma das poucas coisas que eu entendi, é que o amor é inexplicável justamente por responder dúvidas que nem você sabia que tinha. Vou soar brega, mas o amor também ensina a gente a ser brega – e gostar disso. Apesar de dizer que não, eu sempre fui desesperadamente apaixonada por me apaixonar. Por sentir. Talvez fosse desespero, pressa. Talvez fosse só desjeito. Me atropelei muitas vezes, querendo acelerar algo que necessita tempo.

O pouco que eu aprendi veio dos seus olhos. Já diziam que os olhos são a janela da alma. Acho que isso é uma das coisas que se aprende: muitas das frases clichês são verdade. Existe uma diferença no olhar que se nota, de longe. Te faz entender porque você nunca entendeu onde estava errando, ou como você estava cega para não notar o óbvio. O amor é óbvio. O seu olhar me deixou bem claro isso. Tudo porque você me explicou através deles coisas que eu nem sabia que não entendia ou que não havia aprendido. Porque os seus olhos me fizeram olhar para o mundo e para mim mesma de uma forma diferente. Acho que no fundo a gente se ensina sem saber que está ensinando.

Se não fossem os seus olhos, meu amor, eu nunca teria enxergado. Quando eles pousam em mim eu simplesmente sei. Eu simplesmente sinto. É como se eu existisse no mundo porque eu existo na sua vida… e mais, porque eu dei vida ao seu olhar. Ou melhor, você deu vida aos meus. Você fez tudo ser mais fácil, é como se a vida fosse mais tranquila com você aqui.

O que eu aprendi é que no amor não tem desjeito, não tem fórmula, não tem complicação. É o velho clichê de que acontece quando tem que acontecer e a frase que toda mãe aconselha a filha: você simplesmente sabe. É um desespero e um desejo permanente que não machucam. Não é a perda da liberdade, mas a liberdade de escolher. É o fogo que arde sem doer. É sentir mais do que se pode e nem por isso desaparecer em si mesmo. É querer gritar porque parece que já não cabe em si. É alarde, inquietação e calmaria. Poderia ser barroco se não fosse romantismo.

O que eu aprendi sobre o amor é que tentá-lo colocar em palavras é só mais uma tentativa de explicar tudo que eu aprendo cada vez que olho para você.


Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

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