Depois

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E ali estava ela. Na minha frente, depois de tantos anos. Tomando seu café, com os cabelos presos, óculos e uma concentração incrível no computador. Ela nem notava que eu a observava, assim como nunca notou. Ela é linda. Seja dormindo ou mordendo os lábios quando está ansiosa.

O fato é que agora estamos eu e ela aqui. No mesmo lugar. Depois de anos. Depois das inúmeras vezes que me peguei imaginando como seria encontrá-la por aí, por acidente, depois de tudo. Depois de pensar o que eu diria. Depois de decorar todas as coisas que eu já quis dizer para ela e não pude. Não consegui.

E agora, que finalmente estamos nesse momento, eu olho para ela e me esqueço de tudo. Só consigo pensar nos momentos que vivemos. Essa mulher marcou a minha vida e aposto que nem sabe. A culpa é minha, que não a deixei saber que mesmo naquela época eu já sabia que ela era a mulher mais interessante que passaria na minha vida. Fico imaginando a mulher que ela se tornou hoje.

Eu só queria que ela soubesse que eu errei de todas as formas. Que eu não faço ideia do estrago que possa ter feito, mas sei que jamais deveria ter fugido. Que eu sempre quis que ela fosse feliz. Tão feliz que eu não estava pronto, que eu não era o homem preparado para fazê-la sorrir até com o estômago. Queria que ela soubesse que eu também tinha minhas inseguranças. Que ela também me amedrontava, com seu jeito pronto, decidido.

Ela provavelmente sabe da verdade. Sabe que se, na época, eu estivesse disposto a fazê-la feliz, teria lutado mais por nós dois. Aposto que ela também já sonhou com esse nosso reencontro, mas não da forma como eu sempre pensei. E é isso que me afasta dela hoje. É isso que me impede de levantar, ir até ela e dizer “garota, você sempre mereceu o mundo”. E eu realmente espero que o mundo esteja pronto para ela. Que ela tenha se entregado a ele de uma forma que eu nunca soube fazer. Que eu sei que ela é capaz de abraçá-lo, de se entregar a ele de uma forma tão intensa que eu nunca soube lidar.

O que eu queria dizer para menina que eu conheci é que ela jamais deveria ter medo da sua própria intensidade. Que a culpa sempre foi minha. E que eu sempre desejei que ela crescesse e se tornasse a mulher que tenho certeza que ela é hoje.

Antes que eu consiga criar coragem, já há outra xícara de café a acompanhando. Entre os sorrisos que vejo, tenho a certeza de que ela não abandonou sua intensidade. E que o mundo deu um jeito dela sentir todo o amor que eu nunca pude dar e ela sempre mereceu.

Agora tudo o que eu queria dizer é “trata de ser feliz”.

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