Ensaio

alone

Isso é sobre estar totalmente quebrada e não saber para onde ir. Chega um determinado ponto da sua vida que você se vê onde você queria estar, mas em um modo totalmente diferente. E você não sabe como agir.

Por um breve momento eu achei mesmo que podia ter as rédeas. Sabe, ser aquela menina que sempre soube o que quer e o caminho exato para atingir. Cheguei muitas vezes a ouvir “ela se basta”. E eu gostava de ser ela. A que chegava e todos sabiam que ela estava bem consigo mesma, com o mundo, com tudo. Tão bem que não precisava de nada além dela mesma para se fazer feliz. E eu fui boa nesse papel. Sei que consegui muitos admiradores que entraram em conflito ao tentar entender ou seguir essa filosofia.

Eu gostava tanto da personagem que encarei o papel com unhas e dentes. Quando percebi, não era a personagem que precisava de mim para viver, mas sim eu que precisava dela para continuar. Eu era como um ensaio mal feito de mim mesma. Uma versão que criei tão boa em ser assim que, de tão bom, se desgastou. Pessoas que se bastam demais não precisam das outras, então por que as outras ficariam? Não ficaram. Uma a uma se retirou da plateia e eu fiquei ali, no palco, sem nenhuma fala.

Dos bastidores comecei a acompanhar os novos passos da história que eu não era mais a protagonista. E fiquei pelos cantos ouvindo os novos atores que seguiam de uma história para a outra. E por que eu também não podia seguir? Não, eu era boa demais para aquele papel. Mas, assim como qualquer história, eu fiquei para trás. O sucesso de bilheteria deu lugar a outro, que deu lugar a outro e mais outro. E eu fiquei. Eu não queria abandonar o palco, mas aquele já não era o meu cenário.

É claro que já te disseram que as mudanças são inevitáveis, assim como a nossa necessidade de nos adaptarmos a elas. Mas quando você se apega demais e aquilo passa a ser o seu equilíbrio, é fácil demais cair e se desnortear. Então, aqui estou eu, revirando as páginas apressadamente para ver se eu ainda posso me encaixar nelas. Para ver se ainda há uma história a ser contada.

No fundo a gente só tem que aprender que a procura não é por um novo personagem, mas por nós mesmos.

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